Ser Fotógrafo, Ser Artista

 

Um fotógrafo é um artista. É isso que preenche a sua alma. Ele não consegue viver sem fotografar.

Um fotógrafo é humilde e percebe que não existe o “topo”. Percorrer o caminho e fotografar é o que o faz feliz. Aprender é o que lhe dá motivação.

Quando revejo as fotos que fiz há 10 anos atrás, há 5 anos atrás e até há 2 anos atrás, fico espantado com o que aprendi desde então, e o que evoluí. Isto prova que por mais pense que sou muito bom, estou sempre enganado. Ainda há muito a aprender e muito para fotografar.

Um fotógrafo age com ética. É a sua fundação. É aquilo que garante que os seu percurso tenha longevidade.

Há uns dias um colega contou-me a história de uma wedding planner que levava o seu namorado para os casamentos. O seu trabalho era fotografar a decoração. Mas ele começou a fazer de “pendura” e a fotografar os noivos, muitas vezes colocando-se à frente do fotógrafo oficial. Foi assim que ele construiu o seu portfolio e começou a arranjar os seus próprios casamentos. Com uma fundação muito pouco ética. Ele não durará muitos anos no mercado profissional.

Um fotógrafo não é um vendedor nem especialista de marketing. Por isso ele sabe que fama e projeção não têm nada a ver com ser um bom fotógrafo.

Um fotógrafo não persegue reconhecimento nem prémios.

Muitos procuram ganhar concursos de fotografia. Mas para entrar nos concursos é preciso pagar. Os concursos em si são um negócio. E em muitos deles os júris não percebem nada de fotografia. Uma contradição. Tudo por dinheiro.

O verdadeiro reconhecimento vem de fontes que não têm qualquer interesse próprio, nem interesse financeiro. O fotógrafo trata a fama com gratidão, mas mantém o foco no seu trabalho.

Um amigo disse-me no outro dia que fotógrafos são como cogumelos. Crescem por todo o lado. Isto acontece porque é um negócio com uma barreira de entrada muito baixa. Basta ter uma máquina fotográfica, um casal com vestidos de noivos ou uma modelo para tirar fotografias e voilá. São fotógrafos. Mas muitos destes “fotógrafos” fazem-no por dinheiro e não por necessidade de Alma.

É fácil reconhecer os que fotografam por paixão. Eles não o conseguem deixar de o fazer… mesmo que tentem.

Eu já tentei deixar a fotografia muitas vezes durante a minha carreira.

Porque o meu pai também é fotógrafo e eu não gosto de imitar. Sou rebelde, gosto de seguir os meus próprios passos.

Porque não gosto de ter que vender o meu trabalho, vender a minha paixão, e depender disso para viver.

Já tentei várias vezes… arranjar alternativas. Mas não consigo. Este é o meu caminho. Isto é o que eu sei fazer melhor, o que me dá mais prazer e o que me preenche a Alma.

Um fotógrafo perdura no tempo, contra todas as tempestades externas e internas.

 

Nuno Palha

26 Abril 2017

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